Mergulhar naqueles olhos nunca
foi uma opção pra mim. Eu sabia que acabaria me afogando. Sempre soube que, no
fundo, eu poderia ter um coração, meio congelado, mas ainda batendo. Não tinha
planos de fazê-lo voltar à ativa. Isso seria doloroso demais.
Acontece que, quando aquele olhar
toca o meu, o meu corpo é inundado por uma eletricidade que não sei explicar.
Cada pedaço do meu ser pede mais, cada pelo se arrepia e cada músculo se
contrai. Se eu pudesse escolher, não queria que isso tivesse acontecido. Mas no
fundo eu sabia que acabaria acontecendo, sabia disso há tempos.
Você sabe o efeito que causa em
mim e sempre soube. Acha graça quando me vê perder o controle nos seus braços e
brinca com isso. Mas, sabe, eu não me importo. Na verdade, eu venho me
acostumando com a ideia de te perder desde que te conheci. Você sempre foi a
coisa mais efêmera e intangível de que minha mente consegue se lembrar.
Eu sei que eu vou acabar te vendo
ir embora, talvez logo. E só eu sei o quanto me acalma estar no teu colo
enquanto teus olhos encaram os meus, só os meus e de mais ninguém. Eu vou sentir falta da tua boca sedenta pela
minha, das tuas mãos explorando o meu corpo, da tua preocupação tão velada
comigo, dos teus elogios sinceros e de quando você diz que não se importa com nada mais no momento, a não ser comigo, eu sei que vou. Mas eu vou ficar bem.

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