10/03 – 23 dias Sabe, já ficou mais fácil agora. Ontem, antes de
dormir, eu acendi um incenso de violeta – o meu preferido. Abri as janelas e
estava chovendo, o tempo estava fresquinho. Coloquei um episódio do meu seriado
preferido. Olhei para o celular e pensei na sua última mensagem “não me odeie
tanto” e fiquei imaginando o que aquilo queria dizer. Eu não odeio. Eu nunca
odeio de verdade. Eu esqueço. Eu finjo que nada aconteceu e em pouco tempo, é
como se não tivesse acontecido. Só aquela dorzinha chata que vem às vezes,
quando se pensa no que poderia ter sido. Uma dorzinha sempre preenchida por
alguma bebida ou por algum doce. Uma dorzinha que diz “volta” mesmo sabendo que
não vai voltar. Às 21:30 eu estava dormindo e pela primeira vez em dias, eu não
acordei de madrugada. Eu tive um sono ininterrupto até as 7:00 de hoje. Acordei
descansada e com vontade de tomar o mundo nos braços, se o mundo fosse você.
Mas logo você saiu da minha cabeça e eu fui tomar café com os meus pais e
começamos discussões divertidas logo pela manhã e eu novamente me esqueci de
você. Não olhei o celular a procura de mensagens. Não olhei pra rua esperando
sinais de fumaça. Simplesmente não povoou meu pensamento. Até agora. Agora são
8:26. Coloquei a música “Fica”, do Chico Buarque, pra tocar. Ainda estou
tranquila pensando no meu dia cheio. Pensando que logo tenho que lançar notas
de avaliações, que hoje a noite começo uma nova atividade física mas ainda não
consegui me desgarrar da maldita vontade do seu abraço me envolvendo pela manhã
e da sua boca, levemente encostada em minha nuca. Mas olha, foi mais fácil.
Acordar foi mais fácil. O amanhecer foi mais leve e, logo, tudo isso se tornará
apenas mais uma lembrança. Uma das lembranças mais gostosas que já povoou o meu
pensamento, porém, continuará sendo lembrança.
Bárbara Filgueiras
Bárbara Filgueiras

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