terça-feira, 2 de junho de 2015

Violência Contra a Mulher - Causas

A violência contra a mulher é um problema grave e alarmante. Cada vez mais mulheres são agredidas, tanto verbal como fisicamente, no Brasil e no mundo. Esse, assustadoramente, é um problema cultural que está presente em nosso cotidiano e não percebemos. Alguns homens, mesmo hoje em dia, são educados para ver as mulheres como inferiores.
Na primeira metade do século XX, era comum vermos propagandas em que as mulheres apareciam como inferiores e feitas, exclusivamente, para satisfazer seus maridos. Com o tempo, essas propagandas desapareceram, mas deram lugar a anúncios em que as mulheres são vistas como objetos. Basta vermos um comercial de cerveja para nos depararmos com muitas mulheres seminuas à disposição dos homens ali presentes. Esse tipo de comercial ajuda a introduzir o machismo na sociedade e faz com que os homens olhem para as mulheres não como companheiras, mas como bens de consumo.
De onde aprendemos o machismo? Pesquisas mostram que, grande parte das pessoas que são machistas aprendeu o comportamento com os pais. O machismo estimula a violência contra a mulher porque leva os homens a pensar que são donos de suas companheiras. Assim, acham que têm o direito de agredi-las, quando elas não agem da forma esperada, submetendo-se a eles.
Na novela “Mulheres Apaixonadas” de Manoel Carlos, Raquel apanhava de seu marido com uma raquete. Porém, não denunciava por medo de represália ou por medo de ser julgada em seu ambiente de trabalho. Essa situação acontece todos os dias com muitas mulheres que, intimidadas e humilhadas, não denunciam as agressões sofridas. Não existem mulheres que gostam de apanhar, como alguns dizem; existem, apenas, mulheres assustadas demais para denunciar.
A violência contra a mulher pode, portanto, ter duas causas principais que fazem com que aumente a cada dia: a cultura do machismo que está enraizada na nossa sociedade e a impunidade daqueles que agridem mulheres. Precisamos, urgentemente, de medidas que façam as estatísticas de mulheres agredidas diminuírem. Afinal, ninguém tem o direito de agredir alguém, seja quem for.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Sobre o Protesto Open Bar

Várias pessoas têm me perguntado, ultimamente, se comparecerei ao ato contra a presidente Dilma no dia 15 de março. A resposta é não, e, para que parem de me perguntar, citarei aqui os meus motivos.
- Um protesto marcado por raivosos online babando e cuspindo feito lhamas selvagens e sem nunca sair na rua e colocar o dedinho para medir a temperatura da vida real me deixa, no mínimo, com meu pezinho de princesa atrás.
- Com uma leitura rápida, percebi que a pauta de fundo da manifestação não tem nenhum tema realmente importante, ou que, pelo menos, deixaria o governo balançado. Ao contrário, a pauta do ato possui temas como impeachment da presidente, privatização da Petrobras, colocação de megahair e cirurgia plástica em Dilma, bem como questões referentes ao número de parceiros sexuais que a presidente tem tido ao longo de seu governo. Ao mesmo tempo, temas realmente pertinentes, como a escolha de Dias Toffoli (que, no passado, foi advogado do PT) no STF para julgar o caso lava-jato e, logo depois, se reunir a portas fechadas com Dilma, ficam em segundo plano ou em nenhum plano porque os revoltosos online não sabem ler.
- Todos têm direito a se manifestar, e isso é indiscutível, apesar de meus amigos esquerdistas ou governistas arrancarem os pelos pubianos ao ouvir a possibilidade de um grupo de oposição querer fazer galhofa, também. O governo garante esse direito, (porque DEVE garantir e não porque está sendo generoso, afinal, vivemos numa democracia). Logo, fiquem à vontade para fazer bromas, contanto que não me atrapalhem nos meus afazeres diários (ou atrapalhem, também, quem sou eu pra exigir alguma coisa?).
- Visto que a maioria dos protestantes mora no Morumbi e outros bairros nobres do país, parafraseio, aqui, Mônica Bergamo ao dizer que o protesto vai bombar, a menos que chova ou faça sol.
- Uma manifestação que reúne 15/30 mil pessoas (número aproximado dos confirmados nos eventos pra-frentex dos revoltosos) não faz nem cócegas na imensidão que é o nosso Brasil varonil. Um show do Reginaldo Rossi conseguia reunir mais gente de uma única vez.
- Aécio Mala Neves, apesar de saber que não há possibilidade de impeachment com um ato que reúne o que, para o Brasil, significa meia dúzia de gatos pingados, continua colocando lenha na fogueira porque quer ser o herói de capa preta da história do Brasil e, ao mesmo tempo, ganhar ibope para a próxima eleição.
Portanto, meus amiguinhos, podem parar de prever o caos e o fim do mundo e encher minha cabecinha loura com asneiras. Enquanto nossas lhamas amestradas vão para a rua de guarda-chuvinha pink segurado pela empregada para se proteger do sol, vão abrir um livrinho para ler.
Beijos no coraçãozinho.

terça-feira, 10 de março de 2015

Sobre Geleiras, Fogueiras, Muros e Rachaduras

10/03 – 23 dias Sabe, já ficou mais fácil agora. Ontem, antes de dormir, eu acendi um incenso de violeta – o meu preferido. Abri as janelas e estava chovendo, o tempo estava fresquinho. Coloquei um episódio do meu seriado preferido. Olhei para o celular e pensei na sua última mensagem “não me odeie tanto” e fiquei imaginando o que aquilo queria dizer. Eu não odeio. Eu nunca odeio de verdade. Eu esqueço. Eu finjo que nada aconteceu e em pouco tempo, é como se não tivesse acontecido. Só aquela dorzinha chata que vem às vezes, quando se pensa no que poderia ter sido. Uma dorzinha sempre preenchida por alguma bebida ou por algum doce. Uma dorzinha que diz “volta” mesmo sabendo que não vai voltar. Às 21:30 eu estava dormindo e pela primeira vez em dias, eu não acordei de madrugada. Eu tive um sono ininterrupto até as 7:00 de hoje. Acordei descansada e com vontade de tomar o mundo nos braços, se o mundo fosse você. Mas logo você saiu da minha cabeça e eu fui tomar café com os meus pais e começamos discussões divertidas logo pela manhã e eu novamente me esqueci de você. Não olhei o celular a procura de mensagens. Não olhei pra rua esperando sinais de fumaça. Simplesmente não povoou meu pensamento. Até agora. Agora são 8:26. Coloquei a música “Fica”, do Chico Buarque, pra tocar. Ainda estou tranquila pensando no meu dia cheio. Pensando que logo tenho que lançar notas de avaliações, que hoje a noite começo uma nova atividade física mas ainda não consegui me desgarrar da maldita vontade do seu abraço me envolvendo pela manhã e da sua boca, levemente encostada em minha nuca. Mas olha, foi mais fácil. Acordar foi mais fácil. O amanhecer foi mais leve e, logo, tudo isso se tornará apenas mais uma lembrança. Uma das lembranças mais gostosas que já povoou o meu pensamento, porém, continuará sendo lembrança.

Bárbara Filgueiras 

Perder-se

Mergulhar naqueles olhos nunca foi uma opção pra mim. Eu sabia que acabaria me afogando. Sempre soube que, no fundo, eu poderia ter um coração, meio congelado, mas ainda batendo. Não tinha planos de fazê-lo voltar à ativa. Isso seria doloroso demais.
Acontece que, quando aquele olhar toca o meu, o meu corpo é inundado por uma eletricidade que não sei explicar. Cada pedaço do meu ser pede mais, cada pelo se arrepia e cada músculo se contrai. Se eu pudesse escolher, não queria que isso tivesse acontecido. Mas no fundo eu sabia que acabaria acontecendo, sabia disso há tempos.  
Você sabe o efeito que causa em mim e sempre soube. Acha graça quando me vê perder o controle nos seus braços e brinca com isso. Mas, sabe, eu não me importo. Na verdade, eu venho me acostumando com a ideia de te perder desde que te conheci. Você sempre foi a coisa mais efêmera e intangível de que minha mente consegue se lembrar.

Eu sei que eu vou acabar te vendo ir embora, talvez logo. E só eu sei o quanto me acalma estar no teu colo enquanto teus olhos encaram os meus, só os meus e de mais ninguém.  Eu vou sentir falta da tua boca sedenta pela minha, das tuas mãos explorando o meu corpo, da tua preocupação tão velada comigo, dos teus elogios sinceros e de quando você diz que não se importa com nada mais no momento, a não ser comigo, eu sei que vou. Mas eu vou ficar bem.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Entre galhos e papelão, um coração.

Eu estava sentada na janela de um ônibus sem sal a caminho do trabalho, novamente. Cena que se repete todos os dias nos capítulos de minha vida de proletária brasileira. Só mais um dia estressante e comum, sem orégano nem pimenta. Mais um dia em que meus olhos estressados deixam passar todos os detalhes tão ricos de minha cidade e atêm-se nos milhares de problemas, como a quantidade absurda de lixo no chão.
Tinha tudo para ser mais um dia, até que eu olhei para fora da janela e avistei dois meninos sujos e maltrapilhos brincando. Ficou claro que tratavam-se de moradores de rua. Os dois pareciam não se importar com sua condição, muito menos com seu estado estético. Brincavam na rua com aquele brilho no olhar que parece que transcende o que o coração sente. Interagiam de uma forma sincera que eu, pelo menos, não avistava há anos. Uma forma sutil que parece que desapareceu, atualmente. Brincavam com pedras, galhos e terra, nada de brinquedos caros. Entretanto, a felicidade que sentiam, pelo menos naquele momento, não parecia custar o valor de um brinquedo ou sequer ter preço algum. O cenário de sua brincadeira era a rua imunda, iluminada por um sol morno e colorido. Cercados de caixas de papelão e jornais velhos, os dois (irmãos, talvez?) transbordavam um olhar inocente que ilustrava confiança mútua e até, arrisco dizer, amor.

Pode parecer ridículo ou pedante, mas essa cena me arrancou um sorriso logo pela manhã (e quem me conhece sabe do mau humor que eu costumo ter de manhã). Afinal, para que serve o mundo senão para apreciar as pequenas coisas? Esse dia tinha tudo para ser só mais um dia, e foi mais um dia. Porém, essa pequena e rápida cena me fez refletir sobre o valor que damos às pequenas coisas. Não há desculpa para não tentar ser feliz, por mais que não se possua nada, não tem desculpa para não trazer o coração recheado de coisas boas e sentimentos positivos. O verdadeiro valor das coisas encontra-se no coração.