Várias pessoas têm me perguntado, ultimamente, se comparecerei ao ato contra a presidente Dilma no dia 15 de março. A resposta é não, e, para que parem de me perguntar, citarei aqui os meus motivos.
- Um protesto marcado por raivosos online babando e cuspindo feito lhamas selvagens e sem nunca sair na rua e colocar o dedinho para medir a temperatura da vida real me deixa, no mínimo, com meu pezinho de princesa atrás.
- Com uma leitura rápida, percebi que a pauta de fundo da manifestação não tem nenhum tema realmente importante, ou que, pelo menos, deixaria o governo balançado. Ao contrário, a pauta do ato possui temas como impeachment da presidente, privatização da Petrobras, colocação de megahair e cirurgia plástica em Dilma, bem como questões referentes ao número de parceiros sexuais que a presidente tem tido ao longo de seu governo. Ao mesmo tempo, temas realmente pertinentes, como a escolha de Dias Toffoli (que, no passado, foi advogado do PT) no STF para julgar o caso lava-jato e, logo depois, se reunir a portas fechadas com Dilma, ficam em segundo plano ou em nenhum plano porque os revoltosos online não sabem ler.
- Todos têm direito a se manifestar, e isso é indiscutível, apesar de meus amigos esquerdistas ou governistas arrancarem os pelos pubianos ao ouvir a possibilidade de um grupo de oposição querer fazer galhofa, também. O governo garante esse direito, (porque DEVE garantir e não porque está sendo generoso, afinal, vivemos numa democracia). Logo, fiquem à vontade para fazer bromas, contanto que não me atrapalhem nos meus afazeres diários (ou atrapalhem, também, quem sou eu pra exigir alguma coisa?).
- Visto que a maioria dos protestantes mora no Morumbi e outros bairros nobres do país, parafraseio, aqui, Mônica Bergamo ao dizer que o protesto vai bombar, a menos que chova ou faça sol.
- Uma manifestação que reúne 15/30 mil pessoas (número aproximado dos confirmados nos eventos pra-frentex dos revoltosos) não faz nem cócegas na imensidão que é o nosso Brasil varonil. Um show do Reginaldo Rossi conseguia reunir mais gente de uma única vez.
- Aécio Mala Neves, apesar de saber que não há possibilidade de impeachment com um ato que reúne o que, para o Brasil, significa meia dúzia de gatos pingados, continua colocando lenha na fogueira porque quer ser o herói de capa preta da história do Brasil e, ao mesmo tempo, ganhar ibope para a próxima eleição.
Portanto, meus amiguinhos, podem parar de prever o caos e o fim do mundo e encher minha cabecinha loura com asneiras. Enquanto nossas lhamas amestradas vão para a rua de guarda-chuvinha pink segurado pela empregada para se proteger do sol, vão abrir um livrinho para ler.
Beijos no coraçãozinho.
