sábado, 1 de outubro de 2011

Esta manhã eu olhei para o céu

Esta manhã eu olhei para o céu.
Estava chovendo, logo, não pude ver nada. Falei com você, mas você não me respondeu, parece que adivinha o quanto me irrita quando você me ignora desse jeito. Mas eu não demonstrei, continuei sorrindo, peguei sua mão e fiquei acariciando-a, comentando com voz doce como aquele céu estava lindo, sorrindo, e gargalhando entre as falas.
De novo, você não me respondeu nada. Saí de mim e derrubei tudo que havia em cima da mesa, e você continuou lá, parado, sem mudar a reação do rosto.
Teus olhos me causaram arrependimento por um segundo, voltei, coloquei a sua cabeça no meu colo, e fiquei alisando teus cabelos, beijando-os de vez em quando, e cantando devagarinho e em tom suave uma canção de ninar. Você? Continuou sem dizer palavra. Lágrimas brotaram de meus olhos, lágrimas que escorriam e iam caindo sobre tua cabeça, onde você estava? Eu precisava de você naquele momento!
Levantei e abracei você o mais forte que eu consegui, você pareceu não se importar, estava fazendo isso há umas horas, não se importando com nada, apenas concordando passivamente com o corpo com tudo que eu fazia.
Meu choro aumentou, eu queria tanto te ter naquele momento, mas você não estava comigo ali, só de corpo, mas sua alma estava em outro lugar.
Talvez explique o que aconteceu mais cedo, quando você mais uma vez passou sem falar comigo por horas. Mas meu amor, se me acha louca, parar de falar comigo não é o remédio. Num súbito momento de aflição, peguei aquele pó que há tempos eu tinha guardado e te fiz beber sem saber, o que você fez, passivamente, como TUDO o que você faz. Só agravei o problema, dessa forma é que você parou de falar comigo, permanentemente.
Me desculpa! Eu ainda te amo, não posso viver sem você. O que eu fiz foi te matar primeiro, mas minha morte viria em seguida. Sem você, eu não conseguiria viver por muito tempo.
Desesperei-me e coloquei teu corpo sem vida sobre minha cama, lágrimas ainda brotando de meus olhos, deitei minha cabeça sobre o teu peito, e abracei-te pela última vez. Peguei o copo que você havia tomado e bebi o resto que lá havia. Agora nós estaríamos juntos para sempre. Ouviu? Para sempre meu amor. Você não teria mais motivos para não falar comigo.
Enquanto o dia terminava, e o céu ia escurecendo, nossos dois corpos estavam sobre a cama.
Sem vida, mas juntos para sempre.
Esta manhã eu olhei para o céu.

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