Aquele que não deveria responder, respondeu.
O relógio continua tiquetaqueando, há uma hora mais ou menos eu tenho a impressão de que ele está dentro da minha cabeça, e seus barulhos só aumentam a maldita dor que eu estou sentindo.
Mas não me desespero, espero. E espero mais e mais, nem sei quanto tempo faz que eu espero, já que quebrei o relógio em um ataque de raiva. Sei que ele não tem culpa, mas sinto como se esse infeliz estivesse anunciando meu infortúnio e minha agonia.
Trouxe um copo d'água para o lado da cama, olho meu rosto refletido no espelho, "já fui mais bonita", penso eu, mas pouco me importa, você disse que me achava bonita. Ora que bobagem, afinal, não se pode ouvir aquilo que não existe não é?
E essa droga de som ecoando na minha cabeça, sua voz que não me deixa em paz, da onde veio se você nunca existiu? De quem é essa voz dizendo que precisa de mim então? Se você precisa de mim, por que não veio me procurar ainda?
Volto a cabeça ao travesseiro, abafando minhas lágrimas e meus gemidos de pavor.
Se eu me sinto sozinha? Que diferença isso faz agora?
Me levanto e jogo o copo d'água sobre minha cabeça. A dor alivia com a água fria.
Vou até o banheiro tateando as paredes, as lâmpadas estão todas queimadas, assim como minha vida. Procuro no armário e tomo o vidro de calmante inteiro. O efeito é rápido, sinto meu corpo caindo, a perda da lucidez.
Pronto querido, minha espera acabou. Desse lado eu consigo te ver, talvez te tocar. Mas você não está feliz, está acorrentado. Por isso você não viria para mim?

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