segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Incomplete

Hoje,  mais uma vez, eu lembrei de você.
Coisa mais idiota pra se dizer, porque eu lembro todos os dias.
De meses em meses você invade minha casa, quebra todos os meus móveis e some.
Eu levo um tempo pra reconstruir tudo, mas eu reconstruo. É quando você aparece de novo e quebra tudo mais uma vez.
Fico pensando se você faz isso porque sabe que na minha casa sempre vai ter uma luz acesa e uma porta aberta pra você entrar. Eu sou idiota, não sou?
Queria entender o que deu de errado entre a gente. Foi uma explosão de sentimentos, tantas lágrimas, litros de saudade e tantas risadas.
Como eu queria saber se significou pra você a mesma coisa que significou pra mim.
Eu odeio ver tua foto, sabe? Me dá tanta saudade que dói. Acaba com meu dia.
Não consigo nutrir sentimentos ruins por ti. Mas queria resolver esse sentimento de coisa incompleta, inacabada que você deixou.
Como eu faço pra ler tua mente, mesmo que só por um minuto, só uma vez?

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A fé e a razão

Não é porque as coisas são racionais que elas se tornam menos dolorosas. Na verdade, quanto mais racional, mais doloroso.
Isso porque não acredito que racionalidade e fé andem juntas. Muitas vezes, o mais difícil em um problema é enxergar que a solução depende unicamente de você e de mais ninguém.
Não é fácil ter consciência de que seus problemas só se resolverão se você agir. Rezar não vai ser o suficiente pra te ajudar a partir daqui.
Algumas pessoas acham que, porque elas entendem a raiz do problema e podem te explicar o que está acontecendo, fica mais fácil de encarar as questões da vida. Pra mim, no entanto, é mais ou menos o contrário. Entender racionalmente nossos problemas significa entender que precisamos agir para mudá-los, sem intervenção divina. Não é difícil entender o porquê de o mundo ainda ser formado por pessoas religiosas. Às vezes me pergunto qual de nós é mais corajoso.
A consciência de que nossa vida precisa ser vivida nesse plano e em um determinado tempo, sem a concepção de paraíso, nos deixa tensos e preocupados. Temos um tempo na terra, e precisamos viver tudo que tem que ser vivido nesse tempo. Não é como se a vida fosse uma grande obra de Deus que tivesse como objetivo te levar para o paraíso eterno.
O paraíso às vezes faz falta no mundo contemporâneo.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Paranóia

Não é exatamente culpa de alguém específico que eu tenha me afastado. É mais culpa do meu inconsciente.
Ultimamente tenho andado meio infeliz, ou talvez menos feliz do que poderia estar, considerando que não tenho nenhum grande problema em minha vida no momento. Não vou dizer que não sinto falta de ter vários amigos, mas não sei até que ponto prefiro ficar em um ambiente que meu cérebro me diz constantemente que eu não deveria estar a ficar sozinha. E isso em todos os círculos sociais: desde o trabalho até às vezes na família.
Toda vez que saio com meus amigos, parece que não estou onde deveria estar. Na minha cabeça, parece que todo mundo se ama e eu só fui convidada porque alguém teve pena de mim. Parece que eu sobro, que não me encaixo, que não pertenço àquele lugar. Parece que as pessoas que puxam assunto comigo só ficaram com pena porque eu estava sozinha e resolveram tentar falar comigo.
Entendo que não tem a possibilidade de as pessoas ficarem falando mal de mim o tempo todo quando não estou presente, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de pensar nisso. Tenho a impressão paranoica de que todos acham que sou digna de pena. Todos os dias tenho a certeza de que meu chefe me odeia e fico agindo com o máximo de autocontrole possível quando estou interagindo com alguém, porque acho que meu eu natural não é suficientemente digno de conversar com quem quer que seja. Assim, fico fingindo ser outra pessoa.
Só que isso tudo me magoa, me machuca, me deixa sozinha e triste. Cheguei em um ponto que só vejo o lado ruim das coisas e acabo me tornando alguém com quem as pessoas realmente não querem conviver. Não quero ser a pessoa que só fala o lado ruim de tudo, mas acabo me tornando ela às vezes.
        Tento manter na vida somente pessoas com quem eu comecei do zero, do jeito certo, pessoas a quem nunca fiz mal. Dessa forma, não acredito que eu deva algo a alguém, porque tenho minha consciência limpa de que não faço mal pra ninguém. Mas a consciência talvez não seja vizinha da paranoia

terça-feira, 2 de junho de 2015

Violência Contra a Mulher - Causas

A violência contra a mulher é um problema grave e alarmante. Cada vez mais mulheres são agredidas, tanto verbal como fisicamente, no Brasil e no mundo. Esse, assustadoramente, é um problema cultural que está presente em nosso cotidiano e não percebemos. Alguns homens, mesmo hoje em dia, são educados para ver as mulheres como inferiores.
Na primeira metade do século XX, era comum vermos propagandas em que as mulheres apareciam como inferiores e feitas, exclusivamente, para satisfazer seus maridos. Com o tempo, essas propagandas desapareceram, mas deram lugar a anúncios em que as mulheres são vistas como objetos. Basta vermos um comercial de cerveja para nos depararmos com muitas mulheres seminuas à disposição dos homens ali presentes. Esse tipo de comercial ajuda a introduzir o machismo na sociedade e faz com que os homens olhem para as mulheres não como companheiras, mas como bens de consumo.
De onde aprendemos o machismo? Pesquisas mostram que, grande parte das pessoas que são machistas aprendeu o comportamento com os pais. O machismo estimula a violência contra a mulher porque leva os homens a pensar que são donos de suas companheiras. Assim, acham que têm o direito de agredi-las, quando elas não agem da forma esperada, submetendo-se a eles.
Na novela “Mulheres Apaixonadas” de Manoel Carlos, Raquel apanhava de seu marido com uma raquete. Porém, não denunciava por medo de represália ou por medo de ser julgada em seu ambiente de trabalho. Essa situação acontece todos os dias com muitas mulheres que, intimidadas e humilhadas, não denunciam as agressões sofridas. Não existem mulheres que gostam de apanhar, como alguns dizem; existem, apenas, mulheres assustadas demais para denunciar.
A violência contra a mulher pode, portanto, ter duas causas principais que fazem com que aumente a cada dia: a cultura do machismo que está enraizada na nossa sociedade e a impunidade daqueles que agridem mulheres. Precisamos, urgentemente, de medidas que façam as estatísticas de mulheres agredidas diminuírem. Afinal, ninguém tem o direito de agredir alguém, seja quem for.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Sobre o Protesto Open Bar

Várias pessoas têm me perguntado, ultimamente, se comparecerei ao ato contra a presidente Dilma no dia 15 de março. A resposta é não, e, para que parem de me perguntar, citarei aqui os meus motivos.
- Um protesto marcado por raivosos online babando e cuspindo feito lhamas selvagens e sem nunca sair na rua e colocar o dedinho para medir a temperatura da vida real me deixa, no mínimo, com meu pezinho de princesa atrás.
- Com uma leitura rápida, percebi que a pauta de fundo da manifestação não tem nenhum tema realmente importante, ou que, pelo menos, deixaria o governo balançado. Ao contrário, a pauta do ato possui temas como impeachment da presidente, privatização da Petrobras, colocação de megahair e cirurgia plástica em Dilma, bem como questões referentes ao número de parceiros sexuais que a presidente tem tido ao longo de seu governo. Ao mesmo tempo, temas realmente pertinentes, como a escolha de Dias Toffoli (que, no passado, foi advogado do PT) no STF para julgar o caso lava-jato e, logo depois, se reunir a portas fechadas com Dilma, ficam em segundo plano ou em nenhum plano porque os revoltosos online não sabem ler.
- Todos têm direito a se manifestar, e isso é indiscutível, apesar de meus amigos esquerdistas ou governistas arrancarem os pelos pubianos ao ouvir a possibilidade de um grupo de oposição querer fazer galhofa, também. O governo garante esse direito, (porque DEVE garantir e não porque está sendo generoso, afinal, vivemos numa democracia). Logo, fiquem à vontade para fazer bromas, contanto que não me atrapalhem nos meus afazeres diários (ou atrapalhem, também, quem sou eu pra exigir alguma coisa?).
- Visto que a maioria dos protestantes mora no Morumbi e outros bairros nobres do país, parafraseio, aqui, Mônica Bergamo ao dizer que o protesto vai bombar, a menos que chova ou faça sol.
- Uma manifestação que reúne 15/30 mil pessoas (número aproximado dos confirmados nos eventos pra-frentex dos revoltosos) não faz nem cócegas na imensidão que é o nosso Brasil varonil. Um show do Reginaldo Rossi conseguia reunir mais gente de uma única vez.
- Aécio Mala Neves, apesar de saber que não há possibilidade de impeachment com um ato que reúne o que, para o Brasil, significa meia dúzia de gatos pingados, continua colocando lenha na fogueira porque quer ser o herói de capa preta da história do Brasil e, ao mesmo tempo, ganhar ibope para a próxima eleição.
Portanto, meus amiguinhos, podem parar de prever o caos e o fim do mundo e encher minha cabecinha loura com asneiras. Enquanto nossas lhamas amestradas vão para a rua de guarda-chuvinha pink segurado pela empregada para se proteger do sol, vão abrir um livrinho para ler.
Beijos no coraçãozinho.

terça-feira, 10 de março de 2015

Sobre Geleiras, Fogueiras, Muros e Rachaduras

10/03 – 23 dias Sabe, já ficou mais fácil agora. Ontem, antes de dormir, eu acendi um incenso de violeta – o meu preferido. Abri as janelas e estava chovendo, o tempo estava fresquinho. Coloquei um episódio do meu seriado preferido. Olhei para o celular e pensei na sua última mensagem “não me odeie tanto” e fiquei imaginando o que aquilo queria dizer. Eu não odeio. Eu nunca odeio de verdade. Eu esqueço. Eu finjo que nada aconteceu e em pouco tempo, é como se não tivesse acontecido. Só aquela dorzinha chata que vem às vezes, quando se pensa no que poderia ter sido. Uma dorzinha sempre preenchida por alguma bebida ou por algum doce. Uma dorzinha que diz “volta” mesmo sabendo que não vai voltar. Às 21:30 eu estava dormindo e pela primeira vez em dias, eu não acordei de madrugada. Eu tive um sono ininterrupto até as 7:00 de hoje. Acordei descansada e com vontade de tomar o mundo nos braços, se o mundo fosse você. Mas logo você saiu da minha cabeça e eu fui tomar café com os meus pais e começamos discussões divertidas logo pela manhã e eu novamente me esqueci de você. Não olhei o celular a procura de mensagens. Não olhei pra rua esperando sinais de fumaça. Simplesmente não povoou meu pensamento. Até agora. Agora são 8:26. Coloquei a música “Fica”, do Chico Buarque, pra tocar. Ainda estou tranquila pensando no meu dia cheio. Pensando que logo tenho que lançar notas de avaliações, que hoje a noite começo uma nova atividade física mas ainda não consegui me desgarrar da maldita vontade do seu abraço me envolvendo pela manhã e da sua boca, levemente encostada em minha nuca. Mas olha, foi mais fácil. Acordar foi mais fácil. O amanhecer foi mais leve e, logo, tudo isso se tornará apenas mais uma lembrança. Uma das lembranças mais gostosas que já povoou o meu pensamento, porém, continuará sendo lembrança.

Bárbara Filgueiras 

Perder-se

Mergulhar naqueles olhos nunca foi uma opção pra mim. Eu sabia que acabaria me afogando. Sempre soube que, no fundo, eu poderia ter um coração, meio congelado, mas ainda batendo. Não tinha planos de fazê-lo voltar à ativa. Isso seria doloroso demais.
Acontece que, quando aquele olhar toca o meu, o meu corpo é inundado por uma eletricidade que não sei explicar. Cada pedaço do meu ser pede mais, cada pelo se arrepia e cada músculo se contrai. Se eu pudesse escolher, não queria que isso tivesse acontecido. Mas no fundo eu sabia que acabaria acontecendo, sabia disso há tempos.  
Você sabe o efeito que causa em mim e sempre soube. Acha graça quando me vê perder o controle nos seus braços e brinca com isso. Mas, sabe, eu não me importo. Na verdade, eu venho me acostumando com a ideia de te perder desde que te conheci. Você sempre foi a coisa mais efêmera e intangível de que minha mente consegue se lembrar.

Eu sei que eu vou acabar te vendo ir embora, talvez logo. E só eu sei o quanto me acalma estar no teu colo enquanto teus olhos encaram os meus, só os meus e de mais ninguém.  Eu vou sentir falta da tua boca sedenta pela minha, das tuas mãos explorando o meu corpo, da tua preocupação tão velada comigo, dos teus elogios sinceros e de quando você diz que não se importa com nada mais no momento, a não ser comigo, eu sei que vou. Mas eu vou ficar bem.