quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...



Alphonsus de Guimaraens

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ideologia

É extremamente natural e compreensível que em épocas de crise haja uma certa polarização política entre a esquerda e a direita. No entanto, essa polarização tem se mostrado formada basicamente por pessoas jovens e, na maioria das vezes, movidas mais pela emoção do que pela razão.
Que a juventude sempre esteve engajada politicamente, também, não é nenhuma novidade, apesar de alguns veteranos bradarem aos quatro ventos que os jovens, atualmente, não se interessam por nada de importante. Porém, um fenômeno curioso a ser observado é a falta de discernimento, de clareza e de análise cuidadosa da história que os jovens têm demonstrado. É possível que minha opinião esteja no tempo errado, pois não posso garantir (tampouco acho que seja verdade) que os integrantes do movimento Caras Pintadas, por exemplo, estivessem com conhecimentos históricos mais profundos ou, pelo menos, claros ao protestarem contra o então presidente. Entretanto, tenho notado que, nas redes sociais, a manifestação política tem se mostrado rasa, extremamente ideológica e sem um pingo de racionalidade.
Que cada um tem seu partido político preferido baseado em sua ideologia pessoal é inegável. Porém, os que estão engajados politicamente precisam ter bom senso e maturidade para entender que o mundo real não é dividido em bem e mal e que a discussão política vai muito além disso. Ora, tanto a esquerda quanto a direita possuem passados sangrentos e não louváveis (justificar mortes de inocentes pelas mãos da esquerda seria o mesmo que justificar a morte de judeus por Hitler). Não existem vilões e mocinhos no mundo real, porque todos, de alguma forma, foram corrompidos.
Existem diversos fatores que compõem a organização política brasileira, entre eles, a coalizão e a governabilidade. É possível comparar alguém que discute política sem analisar esses dois fatores, primordialmente, com uma barata virada de costas, que se debate no chão sem parar, mas que jamais chegará a lugar algum. A política, apesar de doer, vai muito além do coração. Até hoje, nunca conheci ninguém que tenha feito alguma mudança, alguma revolução e que possua um passado intacto. Faz parte da coerência e da razoabilidade ter isso em mente e não negar.
 Talvez, citar Maquiavel aqui pareça um pouco doentio ou maldoso de minha parte, “os fins justificam os meios”. Entretanto, sempre achei que Maquiavel foi injustiçado nas reproduções de sua obra. A verdade é que ele estava referindo-se de forma extremamente realista e coerente ao método político para se manter no poder, nada bonito e agradável aos olhos, muito menos aos corações apaixonados e cegos.

Analisando atualmente os intelectuais que no passado foram militantes políticos, é possível identificarmos uma maior maturidade e clareza quando se trata de ideologias políticas e conceitos de esquerda e direita que, obviamente, só foi possível graças a experiências de vida.  É claro que não pretendo aqui exigir que os jovens possuam a mesma experiência que esses intelectuais. Porém, acredito que a leitura mais minuciosa e uma análise mais cuidadosa das experiências que nossos antecessores possuíram seja a chave para construir um raciocínio político mais coerente com a realidade. Uma característica da juventude sempre foi e sempre será colocar a emoção à frente da razão. Mas, talvez, o caminho que levará a alguma mudança esteja na análise crítica e neutra da sociedade e não só no coração.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A Beleza de Uma Mulher Desacompanhada

Nunca uma mulher daquelas que não abrem mão jamais de um par masculino vai saber qual a sensação de vestir aquela roupa curta que a deixa extremamente sexy sem ouvir reclamações ou comentários do tipo: "eu te acho linda mesmo é de roupa velhinha e sem maquiagem". A verdade é que eu ODEIO aquela roupa velhinha de ficar em casa e gosto mesmo é de passar quilos e quilos de maquiagem e sair toda montada pra festa. Pouco importa o julgamento masculino sobre isso. Eu nunca me arrumei pra ficar bonita pra um homem mesmo.
Sabem, queridos, eu não preciso que alguém pague a conta pra mim. Por mais que algumas pessoas achem que é cavalheirismo e romântico, eu simplesmente acho que é uma forma de exercer poder sobre mim. Não, não preciso que ninguém me pague nenhuma bebida também, estou bem assim.
Não existe a possibilidade de eu me sentir linda e poderosa enquanto um cara segura minha cintura de uma forma possessiva, ao mesmo tempo que censura meus olhares e fica desorientado se algum cara está me olhando demais.
Também não entendo que uma mulher consiga sentir falta de alguém que a beije descontroladamente, mas só em público, que é pra o mundo todo saber que ela tem ''dono''. E, sério, essa piadinha não tem a mínima graça. Falar que alguém é meu dono não toca meu coração em nenhuma instância.
A mesma capacidade que você possui de dirigir também me pertence. Não preciso de alguém que fique preocupado se eu cheguei bem em casa, minha mãe executa esse papel perfeitamente desde que nasci. Não, não preciso que ninguém me deixe em casa.
Aquele brilho no olhar, aquela segurança de saber exatamente o que está fazendo, a sensação de liberdade que somente uma mulher desacompanhada irá provar um dia. É possível que você, homem, ao ler esse texto, ache que é coisa de mulher encalhada. Mas na verdade é só amor próprio.