Eu nunca pensei que poderia ser assim, e justamente por não saber como será, é que eu escrevo as seguintes palavras:
Uma manhã, enquanto eu via o sol nascer, pensei em como tudo até poderia fazer algum sentido. Sim, tudo faz sentido exatamente por não fazer sentido algum. Qual é a razão de eu acordar todas as manhãs e ir construir a minha "vida"? O meu "futuro"? Por que o meu futuro tem que ser do modo convencional, ou seja, igual ao de todos os mortais (por mais que algumas pessoas insistam em parecer diferentes)? Acho que eu não descobri o sentido, mas descobri que o sentido da vida é passar a vida toda procurando por ele. "Se alguém encontrou, um sentido pra vida chorou, por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo, transformando um silêncio que até então é mudo".
Então, eu vi as ruas começando a se iluminar pela luz solar, e com o clarão surgindo, o clarão que eu já não via do mesmo jeito, via com outros olhos. Eu comecei a pensar em tudo que já havia passado até então. Como eu queria ter dito "eu te amo" pra algumas pessoas enquanto era tempo. Como eu queria ter deixado meu orgulho besta de lado e ter gritado aos quatro ventos o que eu sentia, por mais que não mudasse nada, eu não estaria desperdiçando o que havia dentro de mim. Como eu queria ter feito o que eu tinha vontade enquanto eu podia. Lembrei de uma coisa que sempre me diziam: um minuto de felicidade, vale por uma vida toda de tristezas. Talvez até fosse verdade, mas a essa altura eu já nem sabia se havia tido realmente uma felicidade que compensasse uma vida toda de tristezas. Não que eu tivesse uma vida triste, apenas levei uma vida normal, normal até demais pra me satisfazer.
Se pudesse voltar, eu olharia nos olhos de algumas pessoas, e sentiria o brilho deles. Sentiria suas emoções pelas janelas da alma, e faria de tudo para tentar compreendê-las, afinal, eu fazia isso com algumas pessoas, por quê era tão difícil com outras? Aliás, eu não conseguia entender o porquê de não ter feito isso antes, será que era por medo? Mas que diabos! Medo de que? Um clarão me veio à memória: sempre que eu tentava ser sincera com alguém, era mal recebida. Mas e daí? Eu teria feito o que tinha vontade.
Ah, como eu queria ter me preocupado menos com a opinião alheia e ter vivido a minha vida por mim mesma, mas acho que essa é uma façanha um tanto quanto complicada pra se pôr em prática enquanto é possível. Eu refleti em algum lugar meus olhos cansados, e vi que eles já não eram os mesmos, parecia que já não eram mais meus, aqueles olhos tão familiares que eu conhecia tão bem. Acho que quando se é capaz de compreender tudo, e pôr em prática, tu adquires até um novo corpo, mas não mais aquele corpo que se pode tocar, ver, sentir, é um novo corpo que reflete tudo o que tu sentes, reflete o teu mais profundo desejo, o mais secreto sonho. Mas já não mais importa a descrição, a possibilidade de alguém descobrir o que tu sentes já não existe mais. Ou não faz diferença.
Logo eu, que sempre me preocupei muito em manter tudo o que sentia a sete chaves dentro de mim, sempre preocupada em não transparecer nenhum sentimento, nem nada.
Talvez não fosse tarde demais pra mudar tudo, mas será que eu realmente seria capaz disso?

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