domingo, 19 de setembro de 2010

Carta de despedida para ler em vida

Eu nunca pensei que poderia ser assim, e justamente por não saber como será, é que eu escrevo as seguintes palavras:
Uma manhã, enquanto eu via o sol nascer, pensei em como tudo até poderia fazer algum sentido. Sim, tudo faz sentido exatamente por não fazer sentido algum. Qual é a razão de eu acordar todas as manhãs e ir construir a minha "vida"? O meu "futuro"? Por que o meu futuro tem que ser do modo convencional, ou seja, igual ao de todos os mortais (por mais que algumas pessoas insistam em parecer diferentes)? Acho que eu não descobri o sentido, mas descobri que o sentido da vida é passar a vida toda procurando por ele. "Se alguém encontrou, um sentido pra vida chorou, por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo, transformando um silêncio que até então é mudo".
Então, eu vi as ruas começando a se iluminar pela luz solar, e com o clarão surgindo, o clarão que eu já não via do mesmo jeito, via com outros olhos. Eu comecei a pensar em tudo que já havia passado até então. Como eu queria ter dito "eu te amo" pra algumas pessoas enquanto era tempo. Como eu queria ter deixado meu orgulho besta de lado e ter gritado aos quatro ventos o que eu sentia, por mais que não mudasse nada, eu não estaria desperdiçando o que havia dentro de mim. Como eu queria ter feito o que eu tinha vontade enquanto eu podia. Lembrei de uma coisa que sempre me diziam: um minuto de felicidade, vale por uma vida toda de tristezas. Talvez até fosse verdade, mas a essa altura eu já nem sabia se havia tido realmente uma felicidade que compensasse uma vida toda de tristezas. Não que eu tivesse uma vida triste, apenas levei uma vida normal, normal até demais pra me satisfazer.
Se pudesse voltar, eu olharia nos olhos de algumas pessoas, e sentiria o brilho deles. Sentiria suas emoções pelas janelas da alma, e faria de tudo para tentar compreendê-las, afinal, eu fazia isso com algumas pessoas, por quê era tão difícil com outras? Aliás, eu não conseguia entender o porquê de não ter feito isso antes, será que era por medo? Mas que diabos! Medo de que? Um clarão me veio à memória: sempre que eu tentava ser sincera com alguém, era mal recebida. Mas e daí? Eu teria feito o que tinha vontade.
Ah, como eu queria ter me preocupado menos com a opinião alheia e ter vivido a minha vida por mim mesma, mas acho que essa é uma façanha um tanto quanto complicada pra se pôr em prática enquanto é possível. Eu refleti em algum lugar meus olhos cansados, e vi que eles já não eram os mesmos, parecia que já não eram mais meus, aqueles olhos tão familiares que eu conhecia tão bem. Acho que quando se é capaz de compreender tudo, e pôr em prática, tu adquires até um novo corpo, mas não mais aquele corpo que se pode tocar, ver, sentir, é um novo corpo que reflete tudo o que tu sentes, reflete o teu mais profundo desejo, o mais secreto sonho. Mas já não mais importa a descrição, a possibilidade de alguém descobrir o que tu sentes já não existe mais. Ou não faz diferença.
Logo eu, que sempre me preocupei muito em manter tudo o que sentia a sete chaves dentro de mim, sempre preocupada em não transparecer nenhum sentimento, nem nada.
Talvez não fosse tarde demais pra mudar tudo, mas será que eu realmente seria capaz disso?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O menestrel


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

Shakespeare

Depois que o amor tira as esperanças



"Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
u
m não sei quê, que nasce não sei onde,

vem não sei como, e dói não sei porque."

Luís de Camões

sábado, 12 de junho de 2010

Rastro de sangue


Erzsébet Báthory nasceu no dia 7 de agosto de 1560, em Nyírbátor, que até então fazia parte do Reino da Hungria, território hoje pertencente à República Eslovaca.
Erzsébet cresceu numa época em que os turcos conquistaram a maior parte do território húngaro. A área era também dividida por diferenças religiosas, a família Báthory se juntou à nova onda de protestantismo que fazia oposição ao catolicismo romano. Ela cresceu em meio à guerra e a violência.
Teve uma infância perturbada, sofria de doenças repentinas, acompanhadas de intenso rancor e comportamento incontrolável.
Vaidosa e bela, ficou noiva aos onze anos de idade do conde Ferencz Nádasdy. Ele era militar e se ausentava frequêntemente por algum tempo, e Erzsébet era obrigada a tomar conta do castelo onde moravam. Foi a partir daí que suas tendências sádicas começaram a revelar-se.
Frequentemente, ela torturava seus criados que não a serviam como ela queria, mesmo que muito pequena fosse a falta. Na época, o comportamento cruel e arbitrário era comum com os criados, mas o comportamento de Erszébet era notório, espetava alfinetes em vários pontos sensíveis de suas vítimas, no inverno, fazia-nas andar sem roupas pela neve, jogando água fria sobre seus corpos até morrerem congelados.
O seu marido a ajudava em seu comportamento sádico, lhe ensinando até novas modalidades de punições, como despir o corpo de uma muher, cobrir o corpo com mel e deixá-la à mercê dos insetos.
O conde Nádasdy morreu em 1604, e ela se mudou pra Viena, onde cometeu seus atos mais famosos e depravados.
Diz-se que certa vez, enquanto uma criada penteava seus cabelos, ela os puxou de leve acidentalmente. Erzsébet virou-de para ela e espancou-a. O sangue espirrou e algumas gotas cairam na sua mão, ela os esfregou e pareceu-lhe que essas a rejuvenesciam, a partir daí ela começou a tomar banho no sangue humano.
Matava jovens meninas que eram atraídas para o seu castelo para tirar-lhes o sangue e banhar-se. Tinha a ajuda de alguns de seus criados.
Um dia, quando seu primo entrou em seu castelo e a flagrou em um de seus estranhos banhos, Erzsébet foi presa, e seus bens foram confiscados, tal qual o dinheiro que tinha para receber de seu falecido marido pelo rei. Os criados que a ajudavam, tiveram pena de morte.
Ela morreu em 21 de agosto de 1614, após sua prisão.
Acredita-se que ela matou mais de 630 jovens, por encontrarem sua agenda, onde mantinha os nomes das vítimas esritas com sua própria letra.

sábado, 1 de maio de 2010

Saudades do meu futuro


Num outro dia eu estava pensando: como vai ser minha vida daqui a uns 20 anos? Na minha cabeça, eu imaginei uma história um tanto trágica, mas bem realista. "Ano de 2030, eu tenho 34 anos. Não sou velha, mas já estou em uma idade em que em que sei que não vou mais casar com um príncipe encantado, nem herdar um cassino em Las Vegas. Mas ainda posso esperar algo como, ganhar na loteria, ou furar-me um pneu.
Fura-me um pneu. Eu desço do carro. Há uns anos, assim que descesse do carro, algum homem pararia para me ajudar. Agora, ainda pode acontecer, mas eu teria que esperar muito mais, afinal, não tenho mais o brilho nos olhos de uma garota de 19 anos, e acabo tendo que me virar sozinha.
Não sirvo para Top-model, mas também não sou daquele tipo que assume a velhice depois dos 30, e deixa sequer de arrumar-se como alguém elegante. Tenho um emprego estável, com um diploma de universidade. Tenho um pequeno apartamento, simples, mas confortável.
Moro sozinha e não tenho filhos nem marido ou namorado. Já havia tido noivo duas vezes. Na primeira, descobri que ele estava me traindo com uma garçonete de um bar próximo. E na segunda vez, quando estávamos quase nos casando, ele me confessou que gostava de homens. Mas na verdade eu não me lamento, porque intimamente, estava aliviada por não casar.
A vida é meio vazia, e acho que a única coisa que me mantém sorrindo, é a minha mente de criança. Por fora, tento me fazer parecer com uma profissional séria, e responsável, e acredito que com sucesso. Mas por dentro, a criança dentro de mim insiste em fazer piada com o cabelo de algum funionário da agência.
No meio de trabalho, ninguém comenta que nos dias chuvosos, eu sou a única sem guarda-chuva, porque adoro sentir os pingos gelados molharem meu cabelo.
Aos domingos, eu geralmente fico sentada na sala do meu apartamento, com um óculos e livro na mão, pensando que se eu fosse uma pessoa normal, nesse instante, estaria correndo atrás de filhos pela casa. E começo a rir sozinha, e quando termino, me pego chorando. Chorando por quê? Eu não faço a mínima ideia, só sei que chorar é bom de vez enquando.
Tantas coisas aconteceram durante esses 20 anos, tantos amigos perdidos, aqueles que eu tentei manter o máximo de contato possível, mas mesmo assim, acabaram se distanciando. Ganhei alguns amigos também, mas aprendi cedo que não é fácil achar alguém em que possamos confiar. E sempre acabava recorrendo ao colo quente da minha mãe quando me decepcionava com alguém.
Me apaixonei algumas vezes, mas não tive muito sucesso, afinal, sempre tive o defeito de me apaixonar por quem me desprezava, apesar de calada, eu não assumia o meu sentimento.
Eu aprendi muito com meus erros, e continuo errando. Mas a essa altura, descobri que nem sempre errar é ruim.
Nesse momento, me sinto uma pessoa extremamente segura, que sabe o que está fazendo, e aprendi que isso é resultado dos meus erros no passado. Então não me arrependo mais deles.
Às vezes fico preocupada, porque noto os dias passando tão rápido, de repente viram meses, e anos. Sinto medo de quando menos esperar, estar apenas esperando a morte chegar.Quando sinto isso, eu imediatamente começo a dançar, porque a vida é curta demais pra só ficar na vontade.
Aprendi a ser feliz, porque sou orgulhosa demais pra dar o sabor da vitória à quem me quer mal."

sábado, 27 de março de 2010

Doce sabor


"Não posso negar o prazer inevitável
quando o teu sangue tocas os meus lábios.
Ó silenciosa e sedutora noite,
é como se eu perdesse o controle.
Diante de tua exuberante presença.
Peço que não me deixe.
Mesmo quando o dia chegar.
E quando os teus olhos escuros
forem ofuscados pela luz.
Aí eu saberei que tu continuas ali.
Apenas aguardando o momento certo,
ao pôr-do-sol
para aparecer e me seduzir com teu excitante
e doce balanço.
Que me deixa dopada ao menor toque.
Que faz com que meu corpo estremeça,
ao sentir o teu sabor.
Que me faz nunca mais te esquecer''

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Poema II

Esse poema, foi o que a minha mãe fez.

"Nesse novo dia" Bernardete Paloschi 09/04/1986

Prometa a sí mesmo
ser tão forte
que nada perturbe a paz de sua mente.
Falar de felicidade, saúde e prosperidade
a cada pessoa que conhecer.
Fazer sentir aos seus amigos
que há algo de valor neles.
Ver o lado brilhante de cada coisa
e conseguir otimismo por meio dele.
Pensar somente o melhor,
trabalhar somente pelo melhor
e esperar somente o melhor.
Ser tão entusiasta pelo êxito dos demais
como por seu próprio.
Esquecer os erros do passado
e insistir para conseguir grandes realizações no
futuro.
Exibir um aspecto atraente em todo o tempo
e obsequiar cada pessoa conhecida com um sorriso.
Dar tanto tempo a seu melhoramento pessoal
que não sobre tempo para criticar os outros
Ser demasiado grande para preocupar-se,
demasiado nobre para irar-se
e demasiado feliz para permitir
a presença de problemas que perturbem sua
fé.

Poemas

Quando eu era pequena, minha mãe sempre declamava lindas poesias pra mim. Algumas, que ela tinha feito, outras de autores gaúchos.
Vou tentar copiar algumas aqui, porque foram coisas que marcaram muito a minha infância.

"Faz tanto tempo" de Luiz Menezes

"Era uma lavadeira
que deixava as roupas bem alvas
Perfumadas de limpeza.

Tinha as mãos muito judiadas
muito brancas e enrugadas
da sanga das madrugadas
no inverno da campanha.

Mãos mais velhas que a velhice
que só sentiam carícias
quando se uniam na prece.

Quando alguém lhe perguntava
qual era bem a sua idade
o seu olhar derrepente
tinha um clarão inocente
Respondia ingênuamente
que não soubera contar.

Era uma lavadeira. . .

Faz tanto tempo no entanto
não sei porque derrepente
me veio a imagem inocente
da velhinha Margarida.

Que só sabia lavar, passar, e secar
sem chorar.
E a própria mágoa afogar
no arroio grande da vida.

E hoje quando olho o céu
e vejo as nuvens branquinhas
fico pensando, pensando
numa lembrança perdida.
Por certo foram lavadas, enxugadas e passadas
por duas mãos enrrugadas
da velhinha Margarida."