segunda-feira, 29 de maio de 2017

A fé e a razão

Não é porque as coisas são racionais que elas se tornam menos dolorosas. Na verdade, quanto mais racional, mais doloroso.
Isso porque não acredito que racionalidade e fé andem juntas. Muitas vezes, o mais difícil em um problema é enxergar que a solução depende unicamente de você e de mais ninguém.
Não é fácil ter consciência de que seus problemas só se resolverão se você agir. Rezar não vai ser o suficiente pra te ajudar a partir daqui.
Algumas pessoas acham que, porque elas entendem a raiz do problema e podem te explicar o que está acontecendo, fica mais fácil de encarar as questões da vida. Pra mim, no entanto, é mais ou menos o contrário. Entender racionalmente nossos problemas significa entender que precisamos agir para mudá-los, sem intervenção divina. Não é difícil entender o porquê de o mundo ainda ser formado por pessoas religiosas. Às vezes me pergunto qual de nós é mais corajoso.
A consciência de que nossa vida precisa ser vivida nesse plano e em um determinado tempo, sem a concepção de paraíso, nos deixa tensos e preocupados. Temos um tempo na terra, e precisamos viver tudo que tem que ser vivido nesse tempo. Não é como se a vida fosse uma grande obra de Deus que tivesse como objetivo te levar para o paraíso eterno.
O paraíso às vezes faz falta no mundo contemporâneo.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Paranóia

Não é exatamente culpa de alguém específico que eu tenha me afastado. É mais culpa do meu inconsciente.
Ultimamente tenho andado meio infeliz, ou talvez menos feliz do que poderia estar, considerando que não tenho nenhum grande problema em minha vida no momento. Não vou dizer que não sinto falta de ter vários amigos, mas não sei até que ponto prefiro ficar em um ambiente que meu cérebro me diz constantemente que eu não deveria estar a ficar sozinha. E isso em todos os círculos sociais: desde o trabalho até às vezes na família.
Toda vez que saio com meus amigos, parece que não estou onde deveria estar. Na minha cabeça, parece que todo mundo se ama e eu só fui convidada porque alguém teve pena de mim. Parece que eu sobro, que não me encaixo, que não pertenço àquele lugar. Parece que as pessoas que puxam assunto comigo só ficaram com pena porque eu estava sozinha e resolveram tentar falar comigo.
Entendo que não tem a possibilidade de as pessoas ficarem falando mal de mim o tempo todo quando não estou presente, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de pensar nisso. Tenho a impressão paranoica de que todos acham que sou digna de pena. Todos os dias tenho a certeza de que meu chefe me odeia e fico agindo com o máximo de autocontrole possível quando estou interagindo com alguém, porque acho que meu eu natural não é suficientemente digno de conversar com quem quer que seja. Assim, fico fingindo ser outra pessoa.
Só que isso tudo me magoa, me machuca, me deixa sozinha e triste. Cheguei em um ponto que só vejo o lado ruim das coisas e acabo me tornando alguém com quem as pessoas realmente não querem conviver. Não quero ser a pessoa que só fala o lado ruim de tudo, mas acabo me tornando ela às vezes.
        Tento manter na vida somente pessoas com quem eu comecei do zero, do jeito certo, pessoas a quem nunca fiz mal. Dessa forma, não acredito que eu deva algo a alguém, porque tenho minha consciência limpa de que não faço mal pra ninguém. Mas a consciência talvez não seja vizinha da paranoia