É extremamente natural e
compreensível que em épocas de crise haja uma certa polarização política entre
a esquerda e a direita. No entanto, essa polarização tem se mostrado formada
basicamente por pessoas jovens e, na maioria das vezes, movidas mais pela
emoção do que pela razão.
Que a juventude sempre esteve
engajada politicamente, também, não é nenhuma novidade, apesar de alguns
veteranos bradarem aos quatro ventos que os jovens, atualmente, não se interessam
por nada de importante. Porém, um fenômeno curioso a ser observado é a falta de
discernimento, de clareza e de análise cuidadosa da história que os jovens têm
demonstrado. É possível que minha opinião esteja no tempo errado, pois não
posso garantir (tampouco acho que seja verdade) que os integrantes do movimento
Caras Pintadas, por exemplo, estivessem com conhecimentos históricos mais
profundos ou, pelo menos, claros ao protestarem contra o então presidente. Entretanto,
tenho notado que, nas redes sociais, a manifestação política tem se mostrado
rasa, extremamente ideológica e sem um pingo de racionalidade.
Que cada um tem seu partido
político preferido baseado em sua ideologia pessoal é inegável. Porém, os que
estão engajados politicamente precisam ter bom senso e maturidade para entender
que o mundo real não é dividido em bem e mal e que a discussão política vai
muito além disso. Ora, tanto a esquerda quanto a direita possuem passados sangrentos
e não louváveis (justificar mortes de inocentes pelas mãos da esquerda seria o
mesmo que justificar a morte de judeus por Hitler). Não existem vilões e
mocinhos no mundo real, porque todos, de alguma forma, foram corrompidos.
Existem diversos fatores que
compõem a organização política brasileira, entre eles, a coalizão e a governabilidade.
É possível comparar alguém que discute política sem analisar esses dois fatores,
primordialmente, com uma barata virada de costas, que se debate no chão sem
parar, mas que jamais chegará a lugar algum. A política, apesar de doer, vai
muito além do coração. Até hoje, nunca conheci ninguém que tenha feito alguma
mudança, alguma revolução e que possua um passado intacto. Faz parte da
coerência e da razoabilidade ter isso em mente e não negar.
Talvez, citar Maquiavel aqui pareça um pouco
doentio ou maldoso de minha parte, “os fins justificam os meios”. Entretanto,
sempre achei que Maquiavel foi injustiçado nas reproduções de sua obra. A
verdade é que ele estava referindo-se de forma extremamente realista e coerente
ao método político para se manter no poder, nada bonito e agradável aos olhos,
muito menos aos corações apaixonados e cegos.
Analisando atualmente os
intelectuais que no passado foram militantes políticos, é possível identificarmos
uma maior maturidade e clareza quando se trata de ideologias políticas e
conceitos de esquerda e direita que, obviamente, só foi possível graças a experiências
de vida. É claro que não pretendo aqui
exigir que os jovens possuam a mesma experiência que esses intelectuais. Porém,
acredito que a leitura mais minuciosa e uma análise mais cuidadosa das
experiências que nossos antecessores possuíram seja a chave para construir um
raciocínio político mais coerente com a realidade. Uma característica da
juventude sempre foi e sempre será colocar a emoção à frente da razão. Mas,
talvez, o caminho que levará a alguma mudança esteja na análise crítica e
neutra da sociedade e não só no coração.