domingo, 6 de maio de 2012

Liberdade


Adiar tudo que era pra eu fazer hoje, nunca fazer tudo que eu deixei pra fazer amanhã, ninguém se importa, ninguém pergunta, ninguém vai ligar se faltar um pedaço aqui.
Um pedaço a mais, um pedaço a menos, todos estão acostumados a viver iguais a um robô, faz tanto tempo que não se sabe mais como ser original.
Fingir que gosta, fingir que aceita, fingir que é, só pra ser cordial, o dia todo mascarando, maquiando e escondendo aquilo que realmente quer.
Ser manipulado pela mídia, pelo governo, pelo poder, nunca ir buscar informação. Sempre digerir aquilo tudo que querem que eu digira, fazer como querem que eu faça, nunca ir procurar a verdade como ela é.
Confiar em todo mundo, confiar em todos, ou não confiar em ninguém. Votar porque sou obrigada, escolher porque me mandam, mas nunca oferecer nada melhor pra eu escolher. Distinguir o certo do errado, mas nos parâmetros que me disseram há décadas atrás, nunca me dando espaço pra dizer o que eu penso.
Eu me preocupo contigo, eu gosto de ti, eu penso no que tu queres, mas só quando é melhor pra mim. Amo a natureza mas não abro mão do meu conforto, tenho vários amigos mas só quando for melhor pra eles.
E acredito, ainda assim, que sou livre.

domingo, 11 de março de 2012

Fog

Vi minha mente vagando em alguma caverna escura longe daqui, longe demais pra eu poder controlá-la. Já não sei mais onde ando com a cabeça, nada me satisfaz, nada me completa.
Lembra-se de quando você ficava na minha janela? É claro que não, só eu lembro disso, de dentro de meus mais profundos desejos, mais profundas esperanças.
Eu sei que não posso te culpar pelo que eu sou, mas quero que entenda que não tenho escolha. Minha mente vazia procura por você a cada momento, a cada segundo. Lá fora as folhas das árvores estão totalmente paradas, até o vento se recusa a continuar.
Passo o dia trancada, sem o menor contato externo, mas trancada em minha mente. Eu tenho muito medo do que pode vir de fora, muito medo do que aquilo que eu vejo possa me invadir. Loucura, tristeza, morte, solidão, sangue. Passo os dias me protegendo de tudo isso, mas esqueço de proteger de mim mesma, o mal mais terrível que pode me invadir.
Em um universo paralelo você procura por mim em todas as ruas e nevoeiros. Mas no meu mundo, eu não consigo te achar.

Tão perto, tão distante.

Chega num ponto em que você não consegue mais controlar. Num ponto em que não pode mais prever seus próximos passos.
Estou nesse ponto. Me olho no espelho e algo me diz pra continuar. Até que eu encontrei você, tudo que eu procurava em alguém, tudo que eu procurava em mim. Achei em você tudo que eu nunca tive, tudo que eu sempre quis.
Eu te sufoco tentando demonstrar o quanto eu te quero, tentando te fazer entender que você me completa com todas suas qualidades e principalmente com todos seus defeitos.
Olho pra minha cama vazia. Você não está lá, nunca esteve. Nos meus sonhos eu demonstro tudo o que sinto por você, mas na realidade nunca consegui dizer.
Será que com um olhar posso dizer tudo que eu quero que você ouça? Será que num sorriso posso te mostrar o quanto eu quero que você esteja aqui?
Mas você não está aqui pra ver. Mas você não está aqui pra ouvir.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E a partir daí?

E a partir daí? O que mais eu posso conseguir? Dias cheios, amizades distantes, amores inebriantes...
E agora? Tem mais algo pra eu fazer? Mais alguma coisa pra eu me meter? Mais alguém pra eu tentar entender?
Parece que nada mais faz sentido, mas quando eu vejo os dias compridos, tenho vontade de viver. Viver pra ver o pôr do sol, com ele nunca me sinto só, porque eu sei que ele vai voltar. O sol nunca falha ao se pôr e deixar a lua brilhar, mas sempre sei que ele retornará para noite iluminar.
Com os raios de sol me encho de esperança, igual a uma criança, que espera o dia chegar. Nada está perdido, enquanto eu puder procurar abrigo sob um sol de verão. Esquecer tudo o que me faz mal, esquecer que não posso voar como um pardal, e procurar um outro lugar.
E a partir daí vários lugares vou visitar, mas nenhum me faz tão bem quanto o meu lar, onde eu deveria estar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sentir

A vida é tão rápida, mas as emoções são tão profundas, às vezes vale a pena viver só pra sentir.
Sentir de tudo, sentir o vento, sentir a brisa, sentir tristeza, sentir carícias, sentir que vale a pena viver pra sentir.
Já não quero viver sem ter um porquê, viver sozinha sem saber pra onde correr. Quero sentir tudo que eu puder sentir, sentir que posso voar, sentir que posso fingir, fingir que tudo não passa de um sonho e que eu posso sair daqui na hora que eu quiser. Sair daqui e voltar, voltar pra um novo lugar, um lugar que talvez não exista, mas que eu sei que sempre posso contar.
Desejo sentir tudo que eu puder suportar e, quando a mim voltar, ter um motivo pra sorrir.
E nesse sorriso, tudo que eu puder colocar, assim como a beleza de um olhar, tentar de tudo refletir. Refletir sem precisar falar, o mais profundo sentimento inspirar, e tentar dar a todos uma razão pra sentir.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Little by Little



We the people fight for our existence
We don't claim to be perfect but we're free
We dream our dreams alone with no resistance
Fadin' like the stars we wish to be
You know I didn't mean
What I just said
But my god woke up on the wrong side of his bed
And it just don't matter now
'Cause little by little
We gave you everything you ever dreamed of
Little by little
The wheels of your life have slowly fallen off
Little by little
You have to give it all in all your life
And all the time I just asked myself why, are you really here?
True perfection has to be imperfect
I know that that sounds foolish but it's true
The day has come and now you'll have to accept
The life inside your head we give to you
You know I didn't mean
What I just said
But my god woke up on the wrong side of his bed
And it just don't matter now
'Cause little by little
We gave you everything you ever dreamed of
Little by little
The wheels of your life have slowly fallen off
Little by little
You have to give it all in all your life
And all the time I just ask myself why you really here?
Hey!
Little by little
We gave you everything you ever dreamed of
Little by little
The wheels of your life have slowly fallen off
Little by little you have to give it all in all your life
And all the time I just ask myself why you really here?
Why am I really here?
Why am I really here?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Acrobata da Dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

Cruz e Sousa